• Pr. Carlinhos Veiga

A Justiça vai brilhar

Certa feita, reunidos em num grupo familiar estudamos uma lição baseada no Salmo 73, cujo tema era “Senhor, o que faço com a minha dúvida?”. A pergunta básica da primeira parte do Salmo era “por que prosperam os ímpios?” Essa pergunta, de tempos em tempos, invade nossas mentes e corações. Olhamos para o quadro reinante e perguntamos: onde está a justiça divina? O salmista olha para o mundo ao redor e chega à triste constatação que os arrogantes, os ímpios, os orgulhosos, os violentos, os maldosos, os mal intencionados vivem de forma muito mais tranquila que aqueles que temem a Deus, que buscam uma vida de santidade e respeito ao próximo.


Quando analisa os pormenores, percebe que os ímpios não passam por sofrimentos, tem o corpo saudável e forte, estão livres dos fardos de todos, não são atingidos por doenças, tem riquezas e vivem prosperando. E diante de tudo isso, constata: “Certamente foi-me inútil manter puro o coração e lavar as mãos na inocência” (13). Não é exatamente essa a conclusão de muitos de nós diante do mundo que vivemos? De que vale a pena a integridade e a honestidade onde a corrupção reina e os maldosos e orgulhosos não sofrem as consequências de seu erro? Antes, prosperam.


No entanto, prossegue: “Quando tentei entender tudo isso, achei muito difícil para mim, até que entrei no santuário de Deus, e então compreendi o destino dos ímpios” (16,17). Somente quando o salmista abandona seu amargor e se põe diante do Senhor da História, o Deus da Bíblia, é que se abre diante dele a visão correta do futuro breve que nos aguarda a todos. Deus não está à parte de tudo isto. Ele está observando e julgando todas as coisas, inclusive a própria justiça humana. Ele, o Justo Juiz, trará o veredito final.


Somente quando entra no santuário é que o escritor bíblico tem uma compreensão real das coisas que o cerca. Ele percebe o fim dos ímpios, vê a queda deles. Vê também que o controle da história mundial está nas mãos do Senhor soberano. Nada permanecerá como está. Deus julgará todas as coisas e, na chegada definitiva do seu reino, submeterá tudo e todos à sua justiça. Não vale a pena nos indignarmos a ponto de ignorarmos as promessas da Santa Palavra. É certo que a luta pela justiça é bandeira do reino de Deus, e devemos nos empenhar quanto a isto. Mas é preciso lembrar que chegará o dia em que o Senhor tudo julgará. O dia final em que os perversos, imorais, injustos, mentirosos, corruptos serão condenados pela Justiça eterna. Precisamos confiar no Senhor e manter viva a nossa fé. Indignados sim, mas jamais amargos e desesperançados.

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