• Pr. André Pereira

Da Água e Do Espírito

“Eu os batizo com água, mas ele os batizará com o Espírito Santo. Naquela ocasião Jesus veio de Nazaré da Galiléia e foi batizado por João no Jordão." – Marcos 1:8-9


Jesus vai até o Jordão para ser batizado por João. Ao sair da água, há uma Epifania, manifestação sensível, uma revelação da Trindade: “Jesus viu os céus se abrindo, e o Espírito descendo como pomba sobre ele. Então veio dos céus uma voz: "Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado" (v. 10-11). A Epifania é a celebração da nova e redentora manifestação de Deus na História. Esta revelação está disponível a toda humanidade, não apenas aos judeus – como é celebrado no dia 6 de janeiro, simbolizado na visita dos magos a Jesus. Jesus vai até o Jordão para ser batizado por João. O evangelista explica que, conforme as profecias, João veio para “preparar o caminho do Senhor” (v. 3), pregando “um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados” (v. 4). O arrependimento é a necessidade básica da vida cristã. É a condição para o encontro real com Cristo, para desfrutarmos da plenitude do dom da vida no Espírito, para adentrarmos o Reino. A síntese da mensagem de Cristo, anunciada em Marcos 1, respalda isto: “O tempo é chegado! (...) O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas!” (v.15). Precisamos nos arrepender de quem nós somos. Confessar que há algo errado conosco, que sem Deus somos pecado, que precisamos de salvação. Se o batismo de João era para arrependimento, por que então Jesus se batiza? Jesus certamente não tinha pecado (Hb. 4:15). Jesus se batiza como forma de identificação. O propósito do batismo de Jesus é o mesmo do Natal (a Encarnação) e o mesmo da cruz: Cristo se identifica com os pecadores, e assume nossa condição. Jesus se identifica com a humanidade. Mas não é apenas isto. É algo maior! No batismo de Jesus também vemos uma identificação e uma santificação da cosmos, a realidade material da Criação. Por isto o batismo é um sacramento ministrado com água. Nas narrativas bíblicas de Criação, quando a “a terra era sem forma e vazia; trevas (...) o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gn. 1:2). No relato de Gênesis 1, a vida surge de Deus colocando ordem no caos das águas: separando o as águas de cima e de baixo do firmamento (2º dia), ajuntando as águas para separar uma porção seca (3º dia). No batismo, Jesus está também purificando e consagrando a Criação, e o Espírito Santo desce novamente e paira, como pomba, sobre as águas. Por isso, o batismo nunca é um evento individual, mas sempre um evento pessoal que participa algo maior, cósmico: a Nova Criação, onde Jesus está “fazendo novas todas as coisas!” (Ap. 21:5). Nesta compreensão, o evangelista João registra Jesus dizendo a Nicodemus: “Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito” (Jo. 3:5). O batismo de Jesus imerge a Criação na Redenção, para que a cada novo batismo a Igreja, na autoridade de Jesus, “transborde, aplique, derrame” essa nova realidade sobre uma nova vida. Nosso batismo deveria ser celebrado como nosso novo nascimento. Encerro com uma provocação e sugestão: Qual a importância do batismo para você? Você se lembra da data? Você comemora seu “aniversário espiritual”? Que tal fazer isto este ano?

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