• Pr. Carlinhos Veiga

Já Começa a brilhar!

O salmo 30 é um salmo de ação de graças. Nele Davi agradece a Deus pelo grande livramento. Quando estava doente, numa situação deplorável, à beira da sepultura, ele clamou ao Senhor e este o atendeu: “Senhor, meu Deus, a ti clamei por socorro, e tu me curaste... deste-me vida” (2,3). Num breve resumo, esse cântico descreve um pranto que se transformou em dança; uma veste de lamento que foi trocada por uma veste de alegria (11). Essa foi a experiência de Davi. Quando tudo parecia ter se tornado em trevas, eis que a luz divina iluminou a sua estrada e lhe restituiu a esperança e a fé. Quantas vezes nos vemos em situação semelhante. O mundo ao redor parece se dissolver. Vão se embora o ânimo e o vigor. Praticamente não há mais satisfação em nada.


Em momentos assim, Davi não perdeu a certeza da existência divina, sabia que o Senhor o ouvia. Por isso clamou. O mesmo se dá com os crentes que passam por situações semelhantes. Sofrem, às vezes são tomados por tristezas, mas não perdem a fé em Deus, embora não compreendam as razões desses vales tão difíceis e áridos pelos quais passam. O salmo nos mostra uma atitude a ser tomada em situações adversas como essas: “Cantem louvores ao Senhor, vocês, os seus fiéis; louvem o seu santo nome” (4). O cântico de louvor é a orientação que a Palavra de Deus nos dá. E foi isso que Davi fez. Não é uma sugestão, meramente. É uma orientação fundamental para os fiéis, os santos. Para que o nosso coração não seja entregue à tristeza e à angústia, e o vale se torne profundo e escuro demais, louve ao Senhor, exalte o Altíssimo.


Ao comentar esse salmo, Agostinho fez uma comparação da situação vivida por Davi à ressurreição de Cristo. No verso 3, lemos: “Senhor, tiraste-me da sepultura; prestes a descer à cova, devolveste-me a vida”. Esse verso é atribuído profeticamente a Cristo Jesus. Segundo Agostinho, os que descem à cova são os que mergulharam nos desejos mundanos, no pecado, na sensualidade, na luxúria e na malícia. Mas a história não finda assim. “Ressuscitou vossa Cabeça”, bradou o teólogo. “Vós os demais membros, esperai o que vedes na Cabeça, esperai o que credes nela realizado”. Com isso Agostinho nos lembra que o Deus realizou por Cristo, também realizará pelos fiéis, por meio de Cristo, o Senhor e Salvador.


Assim, é muito provável que o choro persista numa noite. Mas, pela manhã, irromperá a alegria. O sol se pôs para o homem em pecado, isto é a luz da presença de Deus, a luz da sua justiça. Eis a razão do pranto humano. Mas a luz da justiça realizada por Cristo raiou para os fiéis. “Para nosso Senhor era tarde quando foi sepultado e manhã quando ressuscitou, ao terceiro dia”, relembra Agostinho. Muito embora passemos por lutas e provações durante a noite, devemos louvar ao Senhor pela certeza que o sol da sua graça e misericórdia já começa a raiar, lançando os primeiros fachos no horizonte. “Pois a sua ira só dura um instante, mas o seu favor dura a vida toda”. Por isso, louve!

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