• Pr. André Pereira

O Desejo, A Espera e A Vitória de Moisés



O Senhor disse a Moisés: "Farei o que me pede, porque tenho me agradado de você e o conheço pelo nome". Então disse Moisés: "Peço-te que me mostres a tua glória" – Êxodo 33:17-18

Moisés e Deus estão conversando. O povo traiu o Senhor. É um povo com um coração obstinado, duro. Em função disso, Deus afirmou que não irá mais com o povo (Êx. 33:3 e 5). Agora, a esperança que o povo tem é a amizade de Deus com Moisés: “O Senhor falava com Moisés face a face, como quem fala com seu amigo” (v.10), amizade construída na fidelidade e regularidade em que Moisés buscava a Deus (v.7-8). Com base nessa amizade, Deus garante que continuará com o povo (v.12-17). O DESEJO. Mas, mas confirmar sua presença, Deus diz ainda mais: “Farei o que me pede, porque tenho me agradado de você e o conheço pelo nome” (v.17). É então que Moisés fala: “Peço-te que me mostres a tua glória” (v.18). Deus havia oferecido a Moisés fazer dele um novo Abraão: “farei de você uma grande nação” (Ex. 32:10). A amizade com Deus transformou Moisés. Ele não é mais o egoísta esquivo dando desculpas quando Deus o chamou (cap. 4 e 4), preocupado com seu conforto e sua rotina. Moisés está mais interessado na glória de Deus. Quão magnífico é o Senhor, a ponto de alguém que conheceu o esplendor do poderoso império do Egito não desejar outra coisa além de sua glória? Se Deus te desse um desejo, porque se agrada de você... qual seria? A ESPERA. No entanto, Deus não pode satisfazer plenamente o desejo de Moisés: “Você não poderá ver a minha face, porque ninguém poderá ver-me e continuar vivo” (Êx. 33:20). Moisés deseja ver a glória de Deus, mas nem ele pode. Apesar de agradar a Deus, ainda lida com o pecado em seu coração. A santidade da glória de Deus é completamente incompatível com o pecado, e infinitamente mais poderosa. Se ver Deus face a face, morrerá. Os efeitos e consequências do pecado afetam mesmo aqueles que Deus ama e chama para atuarem com ele. Moisés terá apenas uma visão parcial de Deus, e mesmo para isso será necessário esconder-se na fenda de uma rocha (v.19-23). Ainda em função do pecado, Moisés não poderá entrar na Terra Prometida (Nm. 20): reagindo a dureza do coração do povo, o próprio Moisés se ira e age de maneira centrada em si, e não na ordem de Deus. Mas Deus não retira dele o seu amor e presença. Completando a tarefa de guiar o povo, Moisés é convidado por Deus para subir o monte Nebo e ver a Terra Prometida. Ali, na companhia de Deus, em espera e esperança, morre (Dt. 34). E nós? Como lidamos com os efeitos do pecado em nossa vida? Como lidamos com as frustrações em nossos projetos, sonhos de vida? Continuamos a esperar em Deus? A SATISFAÇÃO. O fim do relato da vida de Moisés pode parecer um pouco frustrante. Tanta dedicação a Deus e ao povo, tanto sacrifício... para só ver a terra de longe? Eu, acostumado a visão ocidental do sucesso, sou tentando a lamentar o clima de “quase”, “nadou, nadou e morreu na praia”. Você também sente isso? Mas este não parece ser o sentimento de Moisés. Ele foi fiel ao seu Deus. A glória de Deus era sua prioridade, não a fama e realizações pessoais. E mais. Esta não é a última vez que Moisés aparece na Bíblia. A história dele não terminou aqui. Nos evangelhos, Moisés está presente na transfiguração (Lc. 9:30). Aqui ele vê Jesus, o Eu Sou, face a face. Aqui ele vê uma manifestação da glória da Trindade com seu esplendor. Aqui temos esperança para a satisfação da nossa alma. Veremos Deus face a face (Ap. 22). Nenhuma realização ou “sucesso” deste mundo se comparará a isso. Onde está a sua esperança? Qual sua expectativa de realização? Assim como Moisés, nossa espera valerá a pena, e seremos plenamente satisfeitos. Maranata, vem Senhor Jesus!

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