• Pr. Carlinhos Veiga

Oração: Amor e Poder

Henri Nouwen escreveu: “ao orar, você se abre para a influência do Poder que se revelou como Amor”. A oração atua assim na vida daquele que a pratica. Oração é Poder que nos confere liberdade e independência para não mais sermos encabrestados e levados de um lado para outro pelas inúmeras opiniões, ideias e sentimentos. Quando entramos nessa dimensão do encontro com o Pai através da oração nossos passos são firmados e nossos caminhos orientados, ou reorientados.


Jesus exemplificou essa verdade. Por inúmeras vezes o vemos a sós em oração. Marcos (1.35) nos diz que certa feita ele se levantou de madrugada, quando ainda estava escuro, e foi para um lugar deserto e ali ficou orando por longo tempo. Pedro e os demais companheiros procuravam Jesus. Havia uma enorme demanda. Uma multidão o aguardava, queriam ouvi-lo, buscavam cura. Mas Jesus simplesmente disse a Pedro: “Chegou a hora de partirmos para os povoados vizinhos”. Não era o clamor do povo quem deveria dar as orientações sobre o que fazer. Antes precisaria cumprir a vontade do Pai.


Em Lucas (12.16) encontramos novamente Jesus retirado num monte, solitário. Passou toda a noite orando a Deus. Ao amanhecer chamou seus discípulos e escolheu os doze a quem designou apóstolos. Uma decisão difícil, pois um número grande de discípulos o seguiam naquela altura. Ele precisava da orientação divina para escolher aqueles que realmente viessem a cumprir os planos divinos. E quando saiu a lista, entre os nomes constava o de Judas, o traidor. Certamente não havia sido um equívoco, como alguns pensam, mas o cumprimento exato do que Deus já havia determinado (João 13.26,27).


Todas as ações de Jesus foram tomadas tendo a oração como base. Ele veio para cumprir a vontade do Pai. E para ser obediente precisaria ouvir suas orientações. Assim, Jesus não mantinha seu relacionamento com o Pai como um meio de cumprir seu ministério. A oração não era uma ferramenta que lançasse mão nas horas de dificuldades. Ao contrário, a oração era o próprio ministério. A oração era o início e o fim – ouvir a Deus, cumprir a vontade de Deus e glorificar a Deus. A oração não deve ser vista como um artifício saudável para manter-nos em forma ou mesmo para carregar as nossas baterias espirituais na realização do ministério. A oração deve ser entendida como o nosso próprio ministério, como o foi para Jesus. É o Amor que se revela e nos abre caminho para a influência do Poder de Deus.

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