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Os Calendários

  • Gladir Cabral e João Leonel
  • 3 de jan. de 2021
  • 2 min de leitura

Sobre minha mesa de trabalho há dois calendários convivendo pacificamente ao lado do computador: o calendário do ano que termina, todo rabiscado, envelhecido, anotado com canetas de várias cores; e o calendário do Ano Novo, bonito, cheiroso, brilhando, prometendo grandes novidades, expectativas muitas e incontáveis projetos. Eles me ensinam que os dias passam voando, como diz o Salmo 90, e para nunca mais voltar.


Os calendários me dizem também que o tempo traz suas marcas sobre nossa vida, com suas memórias, suas lembranças queridas e às vezes doloridas e difíceis. E também me dizem que o novo tempo estáaí, como um caminho não trilhado e extremamente atraente, cheio de perspectivas, desafios e ansiedades.


Há um poema de Robert Frost (1874-1963) que fala de um homem que, caminhando por uma floresta, chega até uma bifurcação. Ele tem de decidir que caminho seguir, se o da direita ou o da esquerda, e está mergulhado em profundos pensamentos, todos eles temperados de dúvida e uma certa nostalgia.


“Dois caminhos se bifurcam numa floresta amarela,

E lamento não poder seguir por ambos

E continuar sendo um só viajante.

Ali permaneci

E olhei para um deles como pude

Até onde fazia a curva;

Então olhei para o outro, tão belo quanto o primeiro,

Talvez atémais atraente,

Porque era gramado e pouco usado;

Embora quanto ao uso

Eles estavam mais ou menos iguais,

E ambos estavam ali naquela manhã

Em folhas que jamais foram pisadas.

Oh, eu deixei o primeiro para um outro dia!

Mesmo sabendo como um caminho leva a outro,

Duvidei que algum dia pudesse voltar.

Um dia direi estas coisas com um suspiro no peito

Lá no futuro, daqui a anos e anos:

Dois caminhos se bifurcavam numa floresta, e eu –

Eu escolhi o caminho menos trilhado,

E isso fez toda a diferença”.


Há dois calendários na minha frente. Quero orar a Deus e agradecer pelo ano que termina, pelas vitórias, pelas lutas, pelas alegrais, pelas experiências, ainda que árduas. Quero agradecer porque o Senhor esteve presente em cada dia, em cada hora que passou. Quero também pedir pelo ano novo, para que sua presença se confirme em cada dia, em cada batida do relógio, em cada pulsar do coração. E no futuro, daqui a anos e anos, que eu possa dizer, não com suspiro, mas com alegria, que escolhi o caminho que “fez toda a diferença”.


Extraído de “O MENINO E O REINO - MEDITAÇÕES DIÁRIAS PARA O NATAL”, de Gladir Cabral e João Leonel, publicado pela Editora Ultimato.

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