• Pr. André Pereira

Produzindo Frutos para Glória de Deus

“É como árvore plantada à beira de águas correntes: dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera!” – Sl. 1::3


O Salmo 1 funciona como um portão para o livro de orações-poesia do povo de Deus. Ao passar por ele com atenção, você recebe um par de óculos para olhar para vida. Estes óculos nos ensinam duas coisas. A primeira, é que há somente dois caminhos, duas condutas, dois destinos possíveis: o justo e ímpio. Fundamentalmente, estamos em alguma destas direções. No hebraico, a primeira e última palavras sugerem que tão longe quanto o “A” está do “Z”, tão opostos quanto for possível, assim é a distância entre estes dois únicos caminhos possíveis. Se parece absoluto demais, sem levar em conta as diversas nuances que vivemos, lembre-se que o salmo está falando de um processo e o resultado.


O justo é como a árvore firme, perene, estável, que frutifica. O ímpio é como palha, que o vento leva e é destruída. A segunda coisa é como diferenciar estes dois caminhos, condutas, destinos. O ímpio aprende a pensar (ouve o conselho) e age (acompanha o caminho) com os perversos, até que se torna um deles (se senta na roda, v.1). Ele é como a palha, nada o segura, nada o firma: é levado por qualquer vento de impulsos, desejos, tendências e modas (v.4). Esse caminho não leva a nada a não ser a destruição (v.6b). O justo, ao contrário, é como árvore. Tem raiz. Foi plantado junto às águas correntes, e lança suas raízes com firmeza na apreciação da Aliança (a Torá, a Lei) que Deus fez com Abraão e seu povo (v. 2-3). O Senhor se relaciona com ele ao longo do caminho (conhece, aprova, v. 6). O justo não é justo por si mesmo, mas por ter sido transplantado por Deus para o local certo: a Aliança, o relacionamento com Deus. E a vida correta com Deus sempre dá frutos, frutos que glorificam a Deus: têm vida em plenitude (“certo e suas folhas não murcham”), e “tudo o que ele faz prospera”.


Será que isto é uma garantia de sucesso, de que tudo dará sempre certo? Bom, sim e não. Pense biblicamente... quem é o verdadeiro justo na Bíblia? Que ser humano realmente satisfaz a justiça de Deus? Jesus nos ajuda a por o Salmo em perspectiva. Ele certamente encontrava prazer na Aliança, no relacionamento com Deus. Ele cumpriu os mandamentos com perfeição. Ele certamente desfrutou de muitas alegrias. Você consegue imaginar o sorriso de Jesus ao curar alguém? O abraço que ele dá em Zaqueu quando este é salvo? Mas Jesus não seria o ideal de “prosperidade” ou “sucesso” contemporâneo.


O sofrimento e o caminho da cruz fizeram parte da história de nosso mestre, e provavelmente farão parte da vida dos verdadeiros discípulos e discípulas de Jesus. Mas, no relacionamento com Deus, mesmo dor e sofrimento frutificam, gerando testemunho e salvação. Isaías disse que o messias, servo sofredor justo, veria o fruto de seu penoso trabalho (Is. 53:11). E cá estamos nós! Reunidos, adorando o nome de Deus. E, em aliança com ele, sabemos que ele Deus faz tudo cooperar para o bem. Por isso, produza frutos para a glória de Deus. Peça a ajuda de Deus para transformar sua situação de vida em um momento frutífero, próspero: um meio de glorificá-lo, de dar testemunho, de honrá-lo... seja a situação agradável ou não, cultive o fruto do Espírito: “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl. 5:22-23). Jesus, o justo, foi fiel e frutífero no banquete e na cruz. Com a graça de Deus, nós, enraizados nele, frutificaremos também.

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