• Pr. André Pereira

A alegria de ter meu filho batizado

“Pois a promessa é para vocês, para os seus filhos e para todos os que estão longe, para todos quantos o Senhor, o nosso Deus chamar.” – Atos 2:39


Carlinhos sugeriu que eu compartilhasse no boletim um testemunho: a nossa alegria em celebrar em comunidade o batismo do Timóteo, nosso primeiro filho. Queria compartilhar quatro aspectos que, para mim, fazem parte do batismo, para dividir com você o significado e felicidade em celebrarmos isto juntos.


Entendo que o batismo é [1] uma forma de participação na promessa da Aliança entre Deus e seu povo. Quando leio a Bíblia, vejo que Deus não está salvando indivíduos isolados, desordenados, sem vínculos. Ele está salvando um povo. No Primeiro Testamento, a promessa é feita a Abraão e sua descendência (Gn. 17). É renovada em Moisés, Davi e os profetas. “Eu os farei meu povo e serei o Deus de vocês” (Êx. 6:7, Jr. 32:28). Deus está formando um povo para si. Por meio da vida de Jesus e a missão dada por ele aos apóstolos, este povo se torna multi-étnico. Como a circuncisão marcava os meninos judeus como parte do povo de Israel, o batismo marca homens e mulheres como Igreja, povo de Deus (Cl. 2:11-12).


Este povo é chamado de corpo de Cristo, e “em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito” (1Co. 12:13; Ef. 4:4-6). É preciso uma igreja para batizar uma pessoa, uma criança. O batismo é um marco de pertencimento ao povo, feito pelo Espírito. Assim, o batismo é [2] uma forma de identificação com Jesus. Jesus desce ao Jordão para ser batizado por João (Mc. 1:4-11; Mt. 3; Lc. 3:1-21). Na ocasião, o batismo era para arrependimento e purificação de pecados. Jesus não tinha pecado, nem motivos para se arrepender. Mas Jesus se identifica profundamente com os pecadores. Ele é o Deus encarnado, aquele que assume a condição da humanidade, nosso pecado na cruz (Mc. 10:38-39; Lc. 12:50). Ressurreto, Jesus ordena aos seus discípulos que batizem em seu nome (Mt. 28:18-20). O batismo é, portanto, um ato de obediência e de graça. O batismo é o rito que nos identifica com a morte e ressurreição de Jesus (Rm. 6:3-4; Cl. 2:12).


Por isso, o batismo é [3] um sacramento, que participa da realidade para o qual ele aponta: a Nova Criação. Água não é, de forma nenhuma, apenas um símbolo externo. Assim como a narrativa da primeira Criação nos diz que “o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gn. 1:2), o batismo participa da nova Criação em Cristo, antecipando por meio do Espírito e da água bençãos dessa nova realidade que será completa no retorno de Jesus. Deus escolhe usar água, elemento material tão comum, mas tão necessário, para nos afirmar que o batismo não diz respeito a realidade só de uma pessoa ou de um povo, mas de toda criação.


Por último, entendo que [4] o batismo infantil é também um envio missionário. É reconhecermos que os pais terão de ministrar a uma outra geração, que terá outra(s) cultura, linguagem, tensões, possibilidades. Aqui, a igreja pede graça e poder de Deus para os pais cumprirem um “ide” bem específico: vão e façam desta criança um discípulo. É preciso sabedoria, amor, paciência, direção, poder do alto! Diante disso tudo, celebrar o batismo do Timóteo é uma alegria imensa. Uma alegria que eu espero que cada um de nós possa ter com suas crianças. É afirmar que Deus é bom demais, e nos dá o presente fantástico da vida. Dizer que, assim como ele recebeu a vida biológica como um presente e não por decisão, assim também é com vida espiritual.


A história dele com Deus não “começa nele”, mas já começou no compromisso de Deus com um povo, há muito tempo. É claro, o Timóteo um dia terá de responder pessoalmente a este compromisso. Mas podemos afirmar que Cristo se identifica também com as crianças, como a manjedoura e “deixai vir a mim os pequeninos” nos ensinam muito bem. Ele sabe a realidade, as limitações e o potencial que o Timóteo tem, nesta idade. É confiar que a nova criação é uma realidade iniciada, da qual somos chamados para participar hoje. E pedir que, nessa realidade, Deus nos dê poder e graça para cria-lo como alguém que ama a Deus, o próximo e a criação. Muito obrigado, IPLN, por nos proporcionar este momento e por estarem ao nosso lado nessa responsabilidade!

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