• Pr. André Pereira

Da Amargura para a Liberdade

Como superar os sofrimentos do passado? Como José não amargurou o fato de ter sido vendido como escravo pelos irmãos, a prisão injusta no Egito, o fato de ter sido esquecido por aquele que abençoou? Como ele é capaz de abraçar os irmãos, depois de tudo isso, sem colocar neles a culpa?


Em primeiro lugar, ele reconhece que Deus esteve com ele todo este tempo. “Deus me enviou” (Gn. 45:5, 7 e 8). O narrador destacou isso no cap. 39: “O Senhor era com José”. A afirmação vem no início e no fim do capítulo (Gn. 39:2,3, 21 e 23), que narra o tempo dele na prisão. Mesmo preso injustamente, mesmo esquecido pelo copeiro: o Senhor era com ele. José soube reconhecer que a presença de Deus independe da situação. A partir disso, fez “tudo para com o Senhor, e não para homens” (Cl. 3:23).


José soube superar a amargura das situações e livremente adorar a Deus com o que fazia. Você reconhece a presença de Deus, mesmo nas situações injustas da vida? Em segundo lugar, José viu Judá se abrir ao outro. No cap. 44, Judá se oferece para, de forma substitutiva, assumir a culpa de Benjamin. A atitude de Judá demonstra como o caráter dos irmãos foi transformado: admitiram a culpa pelo ocorrido com José, resgataram Simeão da prisão... e agora, mesmo diante da preferência escancarada de Jacó por Benjamin, estão dispostos a se sacrificar para proteger o mais novo e os sentimentos do pai.


A abertura do outro, o caráter transformado, a entrega em sacrifício. Estes elementos libertam José e Judá da amargura da culpa e do rancor. É isto que Jesus faz conosco também. Como você lida com a culpa e o rancor – tanto seu quanto dos outros – quando Jesus os absorve na cruz, substituindo a humanidade (feridos e culpados)?


José renuncia poder para ter intimidade. Ele desce dos degraus que o separava dos irmãos e revela quem ele é. Escondido como vice-regente do Egito, conduziu os irmãos até este ponto. Agora eles já demostraram preocupação uns com os outros e com o pai. Agora eles não mais entregaram um deles como escravo. Houve transformação, amadurecimento. Agora a reconciliação pode ser plena.


Com Jesus, o processo também envolve esvaziamento. Jesus abre mão de sua glória e conforto nos céus para, na encarnação, restaurar a intimidade. O poder de Jesus é um poder para amar, não um amor ao poder. Isso supera a amargura. Você está disposto a usar seus recursos para construir ou restaurar intimidade? José e Judá nos revelam o caráter de Jesus nesta história. Que nosso Senhor e Salvador nos transforme e nos conduza da amargura para a liberdade!

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