• Pr. André Pereira

Que pobreza sua riqueza supre?

“Assim acontece com quem guarda para si riquezas, mas não é rico para com Deus" – Lucas 12:21


Chegamos ao cap. 12 de Lucas. A tensão entre Jesus e os fariseus continua crescendo. A multidão que segue Jesus também cresce, e muito. O texto bíblico fala de “milhares de pessoas, a ponto de se atropelarem umas às outras” (12:1). Em um determinado momento, uma pessoa da multidão lhe diz: "Mestre, dize a meu irmão que divida a herança comigo” (12:13). Alguém quer que Jesus interfira na partilha de bens da família, defendendo um interesse particular. O texto não nos traz mais detalhes da situação. O que Jesus fará?


Jesus não acata o pedido (12:14), mas não desperdiça a oportunidade. Possivelmente conhecendo o coração de quem lhe pede, mas também de todos nós que o ouvimos ou lemos, alerta: “Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens” (12:15). E, como exemplo, conta uma parábola (12:16-20): um homem muito rico fica ainda mais rico com uma colheita, a ponto de precisar de celeiros maiores para armazenar seus bens. O homem rico afirma que tem recursos para viver o resto da sua vida com conforto e alegria, mas então Deus surge na história, afirma que ele é um tolo e morrerá, e outras pessoas ficaram com suas riquezas.


Contada a parábola, Jesus mesmo dá a aplicação: “Assim acontece com quem guarda para si riquezas, mas não é rico para com Deus” (12:21). O homem tinha riquezas... mas não era rico nas coisas certas. Que tipo de riqueza você tem? Que tipo de pobreza ela supre? Como vimos, Jesus é claro em afirmar que “a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens” (12:15). Achamos que a riqueza no traz conforto, estabilidade, segurança. Por exemplo, um bom plano de saúde nos traz diversos recursos para enfrentar possíveis imprevistos... Mas Jesus questiona nossa sensação de controle: “Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?” (12:25).


Assim, a ganância ou a ansiedade de nada valem. Nosso controle é muito pouco, quase insignificante. Podemos nos iludir, como o tolo homem rico... ou podemos descansar – “Não tenham medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-lhes o Reino” (12:32) - aceitando a providência e o cuidado amoroso de Deus. Que herança, que tesouro você prefere? “Um tesouro nos céus que não se acabe”, ou tesouros terrenos, que podem ser levados pelo tempo ou por ladrões (12:33)?


Curiosamente, é possível nossos bens aqui e agora para acumular tesouros nos céus. Jesus estimula a generosidade: “Vendam o que têm e dêem esmolas” (12:33). Nossa mente que separa totalmente “o mundo material, de agora” do “mundo espiritual, a eternidade”, pode ficar confusa com essa possibilidade. Como é possível juntar um tesouro nos céus? O fato é que, com Jesus, o Reino de Deus chegou. Ele é Senhor do material e do espiritual. Ele é Senhor do agora e do além. Ele nos instrui a amar a Deus acima de tudo, e o próximo como a nós mesmos. E ele nos ama desta forma, rica, transbordante, generosa.


E quem recebe a riqueza deste amor, é convidado a reproduzi-lo, multiplica-lo. O dinheiro e os recursos que Deus me deu não são mais só pra mim, minha família... egoísta, autocentrados. Ricos do amor de Deus, é possível suprir a pobreza dos outros. A generosidade aqui é um investimento seguro nos Novos Ceús e Nova Terra. Que Deus nos faça sábios e ricos, nEle!

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